
Amanheceu,
Me olho no espelho
e não vejo eu.
O que contemplo é algo obtuso,
um pouco triste
um pouco confuso.
Um mundo de um habitante só
que as vezes se sente só,
com sentimentos seus
que alguns insistem em duvidar que seja.
Entardeceu,
nada mudou.
Só as mãos ensanguentadas
de tantos insistentes murros
em pontas de facas
que nunca ninguém amolou.
O tempo não passa,
ou passa, ou finge que passa,
ou que já passou,
pois mantém-se as feridas
das pontas de facas
dos murros que nelas foram desferidas.
Anoiteceu,
posso desacelerar.
Não existe saudade do dia,
disseram-me que eu confundia,
que o que pra mim era certeza,
na realidade era tolice e mentira.
Engano para o meu próprio engano,
insano que pensava estar amando.
O jeito é por a cabeça no travesseiro
e ver a vida do avesso,
reconsiderar o acerto e vê-lo como erro,
me apegar a distância
e me afastar do apego.
Talvez assim, quando amanhecer,
verei alguém diferente
me olhando no espelho.
Espero que eu não estranhe quando vê-lo!

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